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terça-feira, 11 de junho de 2013

125 anos Pessoa

O dia 10 de Junho é, apetece dizer ainda, feriado nacional e diz-se dia de Portugal, Camões e das comunidades portuguesas. Ora essa data acolhe o nome de um dos mais reconhecidos poetas nacionais, Luís Vaz de Camões, a quem se deve a narrativa evocativa das descobertas portuguesas. Mas Camões só me serve de atalho para o dia 13 de Junho. 
Esse mesmo dia de 1888 dá hoje que falar mas, à data, talvez tenham acontecido sucessos que justificassem a compra do matutino mas nelas não encontraríamos a razão deste artigo. Isto porque nesse preciso dia nascia outro, senão mesmo o maior (que o é, pelo menos as olhos de quem aqui escreve), escritor de língua Portuguesa - Fernando António Nogueira Pessoa.
A data tem ainda um pouco de maior relevância uma vez que este ano se completam 125 do seu nascimento, uma data "redonda" que importa sublinhar. Sobre Fernando Pessoa, escritor, sobram as palavras, o alvoroço de ideias que rompem dos seus textos e que nos deixam entre a dúvida e a certeza, o consolo e o desalento, a tristeza e o regozijo. As mesmas palavras que se contradizem ou se vão desvendando a cada leitura feita mas que nunca nos deixam na certeza de que jamais voltaremos a elas. Ao falar de Pessoa é também discorrer sem poder fugir às diferentes "feições" visíveis na sua heteronímia. Não tenho preferências ainda que tenha um gosto particular por Alberto Caeiro que certo dia "me disse"...    

Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver. 

Depois desse dia nada mais foi como dantes. Em Álvaro de Campos, Pessoa discorre sobre o Aniversário. Talvez seja assim este o poema apropriado para a data que se avizinha.

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dia da Europa




Assinala-se hoje o 53.º aniversário do ideal político mais arrojado, na era moderna, do continente que habitamos. A 9 de Maio de 1950 o continente europeu vivia ainda na ressaca da segunda grande guerra. Com os maiores países reduzidos a escombros a vida das populações não foi fácil durante o conflito e não foi melhor após o armistício. Foi nessa perspectiva que Robert Schuman propôs que a República Federal da Alemanha e outros países europeus se associassem para criar uma comunidade de interesses pacíficos – o continente europeu é o continente que menos tempo viveu em tempos de paz, se um único conflito armado ao longo da história.
Schuman queria assim garantir que o último acto de guerra no nosso continente tivesse sido a assinatura da paz e que acabasse por enterrar finalmente as diferenças sociais, culturais e raciais que nos separavam e que usasse essa mesma diferença em favor de todos os países do continente. Para tal Schuman decidiu que não haveria paz se não se estendesse a mão aos adversários da véspera de modo a fazer da união e a multiculturalidade a força motora e que poderia levar desencadeava também o processo de melhoria económica e social dos povos europeus.
A sua proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia e foi na Cimeira de Milão de 1985, que os Chefes de Estado e de Governo europeus decidiram celebrar o dia 9 de maio como "Dia da Europa". Os países fundadores do movimento europeu eram os que resultavam de uma já então existente associação inter-nacional de países que se tinham associado para promover a livre circulação de ferro, carvão, aço e outros minerais no interior da comunidade. Assim foi a partir da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço da qual partiu, a par da proposta de Schuman, o ideal europeu ou da União europeia.
Nos dias de hoje a europa vive momentos delicados com as dívidas astronómicas de alguns dos seus membros grupo no qual se inclui Portugal, com alargamentos sucessivos e pouco calculados, com uma taxa de desemprego sem paralelo até em tempos de guerra e com indefinições para o futuro que ameaçam colocar a parte ou o todo europeu em posições extremas ou fracturantes. Passados mais de 50 anos a europa atinge a idade em que nenhum dos seus líderes tem a consciência vivida de quais eram os ideais dos seus fundadores e talvez seja isso, em parte, a raiz dos problemas e dos desafios que este ideal de paz tem para o futuro.

Para saber mais da europa… http://europa.eu/index_pt.htm

A escola, nomeadamente a biblioteca não quer deixar passar a data em claro e assim estará disponível muita informação alusiva a este aniversário. Vem ver!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Efeméride: Nicolau Copérnico



Passam hoje 540 anos sobre o nascimento de Nicolau Copérnico, um famoso astrónomo de nacionalidade polaca que deu o impulso definitivo para a, à data, teoria que tentava explicar como era o Universo e qual era a sua dinâmica.
Na realidade não se sabia o que existia para lá de alguns planetas do Sistema Solar e assim o Universo naquele então era simplesmente parte do Sistema Solar que hoje conhecemos e no qual está a Terra.
Copérnico fez frente à ideia de então patrocinada pela Igreja Católica que considerava que a Terra era o centro do Universo.  Deu-se ali a primeira cisão entre o que viria a ser a cosmologia (ramo da física que estuda o cosmo = universo) e a teologia (o estudo ou análise de algo ou sobre uma ente divino).
Com os seus conhecimentos em matemática ele estudou os movimentos dos planetas então conhecidos e concluiu que, face ao que tinha visto, que teria que ser o Sol (em grego, Helios) a estar no Universo conhecido de então. 
Começou a desenvolver a sua teoria de um universo heliocêntrico (Helios = sol e kentron = centro) no início de 1500 mas apenas publicou o seu modelo em 1543, em "De revolutionibus orbium coelestium" ("Sobre as Revoluções das Esferas Celestes"). 
Copérnico morreu a 24 de maio de 1543, supostamente no mesmo dia em que recebeu uma cópia do seu livro, que a Igreja Católica considerou leitura proibida por quase três séculos.
Como mera curiosidade... Copérnico no seu tempo de vida foi astrónomo, matemático, cónego, jurista e médico! Uma vida em pleno.